Augusta


Augusta parte três
Marcelo Mayer

O que fazemos por aqui?
Ora, bebemos
Papo furado deixo com o psiquiatra
Ou com sua mãe

Obrigado, dotô!


Há quem diga que a morte nos leva para o céu. Outros dizem que viramos migalhas. Outros apelam para a loucura. Alguns preferem fantasiar, outros querem questionar e minorias não dizem nada. Porém, há sensatos que dizem: este, não morreu! Virou uma nova estrela em nosso peito.

And so this is Xmas


Chacina
Marcelo Mayer

Mano Haroldo avisou
Que vai chover estrelas
E para felicidade de todos
Porém, quase todos
Mano não deve encarar a eternidade
Só uma criança sobrou

Augusta


Augusta parte dois
Marcelo Mayer

Não é que eu te odeie
É que ouvir o Revolver já não me traz lembrança alguma
E preciso?

Augusta


Augusta parte um
Marcelo Mayer

O que fizeram com você, Augusta?
Por que perdeu a noção de sua idade?
E por que se comporta como se fosse Alice Cooper?



Mulher foda


Lá vem ela
Marcelo Mayer

E ele chega com a namorada
Bunda reta, peito caído
Chata e pentelha
Palmeirense e PSDBista

Essa mulher é mesmo muito foda
E até o mais dos moralistas concorda
Até Chinaski a pegaria
Pra ele e meu amigo
Qualquer saia é lucro
Inclusive as "foda"

*inspirado no poema 21 de Fábio Cairolli, no livro "Amores", 2006

90%


Não sumi! Qualquer um com bom senso ou gosto pela cerveja poderia me encontrar nos bares que, com frequência, aqui cito. Ou citava. Não cansei de escrever, mas tudo ficou sem graça. Blogs criaram autores, poetas. Twitter criou formadores de opinião, gente que se sente obrigada a opinar sobre todo assunto, principalmente daqueles que não entende. Qual a graça?
Confesso que escrever faz parte de meu dia-a-dia e não consigo ficar sem rabiscar algo, nem que seja na tela de meu celular. Mas nas últimas semanas me ocupei questionando para quem escrevo e qual o sincero motivo de compartilhar meus devaneios. A resposta é 10%, com uma pequena margem para mais e grande margem para menos.
Escrevo para provocar, arrancar opiniões, para criar fantasias de quem me lê de longe. Escrevo para alguém me contradizer, escrevo para desafiar. Mas a maioria não entende. A maioria quer ler coisas bobas, óbvias, rimas previsíveis e senso comum. 90% que me lê, quer ibope, um número a mais na fanpage do Facebook ou uma propaganda pessoal disfarçada de admiração. Não sou escritor. Escritor é Paulo Coelho, que ganha dinheiro de gente tão idiota quanto ele para escrever histórias ruins. Não sou poeta. Poeta é Adorinan Barbosa, que viveu como poeta.
Nesses anos de blog, os 10% posso apontar e dizer com muito carinho: obrigado. Ao restante, fica minha lamentação e meu até logo. Porque se você não entende princípios básicos de uma boa piada ou um texto com valor, será alvo de minhas ironias numa conversa qualquer. Isso aqui é um lugar idiota e não tenho mais dezesseis anos. Ninguém precisa saber de sua noite bem dormida ou do cachorro que lhe sorriu um pedido de comida. Aos 90% moralistas e chatos, continuem a achar que vão mudar o mundo com fotos de crianças sorrindo ou citações de Pe. Marcelo, poemas do Pedro Bial, hipocrisias do Marcelo Tas e asneiras de uma comédia Stand-up. Eu me restrito a discutir com Deus assuntos mais gostosos como futebol ou planejar a próxima viagem que farei com minha namorada. A conta, por favor. E pode cobrar os 10%!