Malditos, o caralho!


......Chega dessa história tola de malditos da MPB. Cansei de ouvir esse termo. Que ignorância é essa em colocá-los neste posto, sabendo que eles eram contra isto? Muita gente pagou caro e por causa de alternativinhos de merda vão continuar a serem classificados como malditos. Malditos é o nome dado àqueles músicos que bateram de frente com a indústria fonográfica nas décadas de 1970 e 1980. Eles queriam qualidade na música e não que ela fosse uma receita de sucesso, apenas. Os malditos não eram contra o popular. Pelo contrário. Sua batalha maior era justamente fazer com que músicas de qualidade extrema tocassem nas rádios e se tornassem populares. Ou vai dizer que um samba de Luiz Melodia não é popular?

......Porém, os fãs fizeram e fazem justamente o contrário desta proposta, os colocando no limbo, no fundo de suas prateleiras de discos e privando a massa de apreciar obras geniais, estruturas musicais belíssimas e muita qualidade popular. Sim! Eu disse popular. E com todas essas letras, esses artistas lutavam para que o bom gosto invadisse a casa de todos. Os metidos a intelectuais ainda insistem em argumentar que a massa não sabe apreciar boas músicas. Ora! Deixe o povo então ouvir boa música. Deixe o povo colocar o bloco na rua!

......Os mesmos intelectuais que preferem se gabar afirmando possuírem conhecimento sobre esses artistas a mostrar a toda uma população carente de cultura as obras que a MPB produziu nas duas últimas décadas do século XX. Este tipo de gente ajuda a acabar com a música e a colocar no topo das paradas um universo infinito de pagodeiros com óculos na cabeça ou mulheres rebolando em cima de um palco. Porque eles não deixam coisas boas virarem produtos da massa. O povo deve consumir, deixem que o povo tenha oportunidade de ter essa enorme herança nacional: a MPB.

......Vão à merda! Vocês ficam nos botecos falando filosofia barata e defendem a boa música. Exigindo que ela seja acessível e quando se torna acessível, vocês viram as costas com argumento barato que “se vendeu ao mercado”. Muita gente boa pagou caro por causa dessa intelectualidade de "luxo". Muita gente ficou sem conhecer sambas, rocks, marchas, boleros e um universo rico de nossa música porque ainda há uma cultura do brasileiro de achar que o popular é ruim. Ficarei enormemente feliz quando ouvir Tom Zé tocar numa estação FM.

......Quero deixa um abraço imenso a Sérgio Sampaio, Luis Melodia, Jards Maqualé, Itamar Assumpção, Ednardo, Elomar, Noite Ilustrada, Gonzaguinha, Arnaldo Baptista, Bebeto, Lanny Gordin, a galera da Mangueira e Portela entre tantos outros que pagaram e pagam caro pela imbecilidade de muitos.

......Só para deixar registrado: a comunidade de Malditos e Marginais da MPB no Orkut é moderada. Só entra gente "descolada". Irônico, não?

45 incompreensíveis tentaram compreender:

Clara disse...

Falou e disse. Aqui em B.H, todos os festivais de música, sejam de jazz, música instrumental brasileira ou qualquer outro, ficam apinhados de todo tipo de gente. Essas imposturas intelectuais são uma eterna defesa do desamparo humano pra se mostrar ao outro. Power to the people. É isso aí. Abraçao. Clara

mayer kafrouni disse...

é verdade, mas esses intelectuais (segundo eles próprios) estragam até mesmo o que já é bom e popular. Alguém ai já viu um clip dos Beatles na TV que fosse da época do Album Branca ou Abbey Road? Ah, 'She loves you' passa direto né? Costumo dizer que o melhor de uma artista é o aquilo que não se esta ouvindo na rádio - infelizmente.

Pior não é isso. Essa intelectualidade toda que criou esse 'malditos da mpb' força a pirataria. Ué, se você achar um CD desses caras - se achar - custa o olho da cara, porque eles dizem que é 'cult', descolado...então, você recorre ao que? Nem preciso dizer...

Sasha Portrait disse...

realmente adorei. Escreveu sobre o assunto que eu há muito gostaria de falar, e ainda escreveu bem.
O que temos que fazer agora é fazer com que o bom gosto de torne popular. O problema no entanto é saber classificar algo como bom. Acho que o essencial seria se as pessoas tivesse um gosto mais seletivo. Em vez de aceitar tudo que a globo mostra, elas poderiam questionar, criticar, e escolher o que para elas fosse de melhor qualidade. E claro, ajudando a divulgar entre os outros, porque a inteligência é algo que pode ser compartilhada ou pelo menos, popularizada. Acredito eu.

Katrina disse...

Fiquei feliz por ter lido isso, mesmo. Não aguento mais esse papo de maldito prá cá, maldito prá lá. Eles foram o contrário disso, foram abençoados, isso sim. Eles não merecem esses rótulos, muito menos em comunidades do Orkut.

e Jards Maqualé é o cara

=*

Katrina disse...

Aliás, esqueceu de um nome: Wilson Simonal. Apesar de não ter entrado no rótulo de maldito, sua obra permaneceu durante muito tempo do esquecimento do povo,e só agora com o documentário, ele voltou a ser citado. E cá entre nós, ele merece todo o reconhecimento do mundo.

Vanessa disse...

sempre mandando bem. particularmente acho um absurdo ninguém conhecer a fundo sérgio sampaio. dos "malditos" ele foi o maior.
e pra moça de cima, acho que ele não esqueceu não. "entre tantos outros" como o autor já diz.
se a gente ficar citando aqui, não vamos parar nunca

DEMAIS!

Lipo J. disse...

E depois disso, no final de tudo, me digam se esses "divos" e divas, são os malditos...

paty disse...

tb pensei no wilson simonal, mas ele é outra história. ele foi censurado pela ditadura e povo da esquerda o achava traidor, enfim.
ótimo texto. tb acho ridiculo os pseudos-intelectuais darem uma de gostoão pq conhecem tudo (ou acham que conhecem) e julgam o povo por não conhecer.
disso e tudo!

Nathalia disse...

e não é só na MPB q isso acontece... eu não sei o q acontece com a mentalidade das pessoas, de achar q pra ser "true" tem que ser do "underground".

esqueci de perguntar, essas fotos q vc coloca aqui sao tuas?
beijo!

Canto da Boca disse...

Cláp! Cláp! Cláp! Se esse texto não fosse seu, seria meu. :D
Quero entrar nessa comunidade, posso?

Beijo!

Atreyu disse...

Isso é uma falta de consideração! ¬¬³
Esses caras são Deuses isso sim!!! Música nessa época era arte viva, fértil e em movimento. Nem vou tocar na de hoje...
¬¬³
Sagrados!!!
Post very MASSA!!! (y)

Canto da Boca disse...

Eu também ironeizei, MAR celo, ao meu modo, risos!

Ah, amanhã vou ao show do Chico César, e na outra semana, ao da Elza Soares, e depois, Xangai; será que eles são malditos, hã?
Hahahaha! Eu me divirto com esses "críticos" e a necessidade de esteriotipar, categorizar, rotular... Vamos "caralhalizar" todos juntos!

;)

Audrey Carvalho Pinto disse...

e no final.. somos todos maldito .. por mim td bem!
;)

Lipo J. disse...

de fato, é bem relativo

Canto da Boca disse...

Fui espiar teu orkut, afinal, quem não quer ser visto não está nessa mídia, né?
Adorei teus albuns, confesso que a imagem do Nego Dito é uma das melhores, amo esse cara! Tenho uns cedês dele aqui, além de um com as Orquídeas do Brasil. Hey Joe, é a MINHA música do Hendrix, hehehe....

Adoro essa malditada toda, sou uma também.
;))

Nine disse...

Uau!!!
Tudo verdade!!!

Obrigada pela visita no meu blog...
Amei o ponto de vista do comentário!!!!
*.*

Sentimental ♥ disse...

e ainda tem gente que tem coragem de dizer que música é o q se ouve hj, coisas como 'atoladinha' e por aí vai...
bjs

disse...

Eu tenho que repetir meu ultimo comentário antes de comentar esse texto aqui ''Sou fã!'', faz um tempo grande que acompanho teu blog e eu fico sem jeito pra comentar, que tuas palavras mexem comigo. :)
falo mesmo.

E, nossa, tô contigo e não abro, na opnião de tornar populares as coisas REALMENTE BOAS do povo. Sem comentários para essa comunidade aí moderada, quem são eles? Aliás, quem eles pensam que são, pra escolher quem pode e quem não pode gostar de qualquer coisa? Fogueira pra eles. HUNf


E, Luis Melodia é foda.

Ludmilla disse...

A MPB é maravilhosa, e merece sim ser vendida ao mercado, afinal, como iremos compra-la? Eu adoro! ;D

Leandrô/Lemão! disse...

Não gosto de nada que seja rotulado. Nem pelo lado bom, nem pelo ruim. Muito chato isso de dizer que esse é bandido ou esse é mocinho ou que esse é inteligente e esse é de gente burra.

Mariana disse...

Amoooo! essa popularidade brasileira é a linha mais romântica que mais verdadeiramente sabe traduzir ao fundo tudo que somos e sentimos...
ah quem diga que MPB não é de nada... ah tolice....

Larissa disse...

"vc quer ser cantor de rádio? quero sim senhor!" já cantava sérgio sampaio

estou contigo. concordo em tudo. esses intelectuais de esquina são uns babacas mesmo.

bjs!

Daniela Filipini disse...

Irônico sim :/

Design disse...

O importante é mesmo não ser triste. ;)

Passando pra retribuir e agradecer a visita e o comentário, fique sempre à vontade, a casa é sua. ;D

Muito bacana seu espaço, você escreve com quem conversa, de forma fluida mas, ao mesmo tempo, bem estruturada.

=* :)

as viciadas disse...

vou juntar vários comentários:
- Fiquei feliz por ter lido isso.
- a mpb merece sim ser vendida ao mercado.
- Cláp! Cláp! Cláp! Se esse texto não fosse seu, seria meu.


beijaaas, L.

ótimo post.

Bárbara disse...

Obrigada pelo coment lá no meu blog,gostei muito do seu blog e também estou te seguindo.
Passo aqui sempre que der!
Beijooooos

Ricardo disse...

itamar! foi um gênio esquecido nas casas desses malas!
ótimo post, rapaz!

Mariana Andrade. disse...

post interessantíssimo.
aaah,e esse povo que gasta seu tempo ouvindo os tais dos gays do nx zero e as modinhas terriveis e incrivelmente amadoras do tipo CINE não sabem o que estão perdendo.
mpb é poesia plena. gasto meu tempo com os fones no ouvido, sentindo cada frase.

adoro, adoro.

bjão ;*

Cafeína Desvairada disse...

Já comentaram tanta coisa interligente sobre seu texto inteligenta, que a única coisa que eu tenho a declarar é: eu sou muito burra.

Abraço. =)

Silvia Caroline disse...

já falaram tantas coisas, mas vamos lá, eu penso que é muito fácil descutir filosofia barata nos bares e falar que escuta musica boa e querer ela pra sí, somente pra sí.
Eu também ficaria extremamente feliz se escutasse coisas boas no rádio, se mais pessoas compatilhasem mais, não só com a música e sim mais teatro, cinema, literatura.

beijos e eu voltarei.

Cristiano Contreiras disse...

Conhece Walter Franco, né? uma delicia! lembrei dele!

Rene Serafim - "Juninho" disse...

Abraços ao Sérgio Sampaio. Esse merece o bloco inteiro na rua...

Jaya disse...

Se tem uma coisa que me faz levantar e mudar de mesa, é isso: discursos preparados. Receitas estúpidas que os que se auto-denominam intelectuais espalham como sendo única verdade.

Intelectuais de merda.

Tom Zé é a coisa mais absurda do mundo, cara! Será que é proibido isso ser divulgado?

Um beijo, Marcelo.

- eeeeeii disse...

"Vocês ficam nos botecos falando filosofia barata e defendem a boa música. Exigindo que ela seja acessível e quando se torna acessível, vocês viram as costas com argumento barato que “se vendeu ao mercado”."


- sempre assim,
população pobre em cultara,
e algumas pessoas pobres em espírito; sempre assim..

- eeeeeii disse...

cultura*

Felipe A. Carriço disse...

Não sou contra o Popular... apenas receio o populaxo.
Realmente, tem muita coisa boa nos baús da história, mas não podemos negar que coisas boas ainda brotam na rocha da fonografia nacional e mundial.
Instituto é um exemplo de bom som nacional que infelizmente nunca estourou.

Ana Cristina Joaquim disse...

tou contigo!!!

[ rod ] ® disse...

maldito era o grande raul... não compreendido até hoje na sua terra natal.. abs meu caro.

Gabriela M. disse...

eu não sabia que eram chamados de 'malditos'.

no fim de todo caso, eu gosto é bom e velho rock 'n' roll.

:/

Tiago Ferreira da Silva disse...

Salve Marcelo,

Vim prestigiar sua página e agradecer seu comentário lá no Atemporalizando...

Já vi que temos algumas semelhanças quanto a gostos musicais (apesar de não ser muito fã de Beatles, mas...)
Também sou contra o argumento destes pseudo-intelectuais bairristas que ainda persistem na existência do purismo da música popular brasileira.

Gosto de música brasileira, muito, mas sou contra a não-expansão dessa diversidade. Querer chamar Paulinho da Viola, Luiz Melodia ou Banda Black Rio de música erudita é o mesmo que você roubar uma santinha sagrada da casa de uma família pobre, falar que ´patrimônio do Brasil e colocá-la a venda por milhares de reais.

Não é bem assim. Eles fazem música popular, mas não quer dizer que vão aparecer no Programa do Faustão ou algo do gênero.....

Existe, na verdade, um conceito errôneo que associa música popular à produto de massa, que são coisas totalmente distintas. Quer uma comparação: vide Ivete Sangallo e Cartola. Ambos fazem música popular, indiscutivelmente.

Mas uma foca seu público nas vendas, no consumo (o que não desprestigia - calma, não gosto de Ivete, mas música popular tbm tem dessas) e a música do Cartola mexe no SENTIMENTO, buscando uma forma popular. ão é música para moradores de Moema ou Leblon. É música para tocar o coração.

Abraços, legal teu blog!!!

Michelly Barros disse...

é sempre complicado falar do que é "popular" ou não... gostei desse seu texto, compartilho no desabafo, principalmente quando vc diz: Exigindo que ela seja acessível e quando se torna acessível, vocês viram as costas com argumento barato que “se vendeu ao mercado”. Muita gente boa pagou caro por causa dessa intelectualidade de "luxo".
Deixo registrada a minha culpa tb.

Menina Misteriosa disse...

Você é sensacional. Com suas ideias, conquistou minha admiração e respeito.
Disse tudo. E muito bem. Parabéns!
Oh, e a lembrança do "Noite Ilustrada" ... genial!
Beijos

Fernanda Magalhães disse...

Com essa cara de boêmio desprotegido ai na foto, tinha mesmo que sair um belo texto sobre a nossa pobre cultura musical.
Adorei esse paradox malditos e marginais da MPB.

Desculpe a confussão no comentário, ressaca hoje :)

Bjos!!

Mai disse...

Não mudaria uma vírgula sequer deste texto mas diria que não apenas na música há esta leitura excludente, Marcelo.

Parece que se gosta de mentiras e mesmices. Bonecos de R$1,99...
Em série com sorriso de plástico, não? Flores de plástico perfumadas artificialmente.


outro beijo.
E você É.

Haline disse...

rs amei o manifesto, sou uma entusiasta de música nacional e de que isso seja democratizado. bjobjo